IP #7, Serei um Adicto?

IP #7, Am I an Addict?

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Serei um adicto?

Só tu podes responder a esta pergunta.

Isto pode não ser fácil. Durante toda a nossa vida com drogas quantas vezes dissemos “eu consigo controlar isto?” Mesmo que isso fosse verdade ao princípio, não é assim agora. As drogas controlaram-nos. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é, muito simplesmente, uma pessoa cuja vida é controlada pelas drogas. 

Talvez admitas que tenhas um problema com drogas, mas não te consideras um adicto. Todos nós temos ideias preconcebidas acerca do que é um adicto. Não há nada de vergonhoso em se ser adicto, a partir do momento em que se tomem acções positivas. Se conseguires identificar-te com os nossos problemas talvez consigas identificar-te com a nossa solução. As perguntas seguintes foram escritas por adictos em recuperação em Narcóticos Anónimos. Se tens dúvidas sobre se és ou não um adicto, lê as perguntas com calma e responde a elas com toda a honestidade. 

1. Usas drogas sozinho?

      

2. Alguma vez substituiste uma droga por outra, pensando que o problema estava numa droga específica?

      

3. Alguma vez manipulaste ou aldrabaste um médico para conseguires medicamentos receitados?

      

4. Alguma vez roubaste drogas ou roubaste para comprar droga?

      

5. Usas regularmente uma droga quando te levantas ou quando te deitas?

      

6. Alguma vez tomaste uma droga para “equilibrar” os efeitos de outra?

      

7. Evitas pessoas ou lugares que não aprovem o teu uso de droga?

     

8. Alguma vez usaste uma droga sem saberes o que era ou quais seriam os seus efeitos?

      

9. O teu trabalho ou os teus estudos sofreram alguma vez com os efeitos do teu uso de drogas?

      

10. Alguma vez foste preso como resultado de usares drogas?

      

11. Alguma vez mentiste sobre o que usavas ou quanto usavas?

      

12. Colocas a compra de drogas à frente das tuas responsabilidades?

      

13. Alguma vez tentaste parar ou controlar o teu uso?

      

14. Estiveste alguma vez na prisão, num hospital ou numa desintoxicação, devido ao teu uso?

      

15. O teu uso interfere com o teu sono ou com a tua alimentação?

      

16. Assusta-te a ideia de ficares sem drogas?

      

17. Achas impossível viveres sem drogas?

      

18. Alguma vez questionaste a tua sanidade?

      

19. O teu uso de drogas está a tornar insuportável a tua vida em casa?

     

20. Alguma vez pensaste que não te sentes adequado ou que não te consegues divertir sem drogas?

      

21. Sentiste-te alguma vez defensivo, culpado ou envergonhado com o teu uso?

      

22. Pensas muito em drogas?

      

23. Tiveste alguma vez receios irracionais ou sem fundamento?

      

24. O uso de drogas afectou as tuas relações sexuais?

      

25. Alguma vez tomaste drogas que não eram da tua preferência?

      

26. Alguma vez usaste drogas devido a dor emocional ou ao “stress”?

      

27. Já apanhaste alguma “overdose”?

      

28. Continuas a usar apesar das consequências?

      

29. Achas que podes ter um problema com drogas?

      

Serei um adicto?” Esta é uma pergunta a que só tu podes responder. Descobrimos que variava o número de perguntas a que respondíamos “Sim”. O número de respostas afirmativas não era tão importante como aquilo que sentíamos por dentro e o modo como a adicção tinha atingido as nossas vidas.

Algumas destas perguntas nem sequer falam em drogas. Isto é porque a adicção é uma doença manhosa que atinge todas as áreas da nossa vida, mesmo aquelas áreas que à partida parecem ter pouco a ver com droga. As diferentes drogas que usávamos não eram tão importantes como o porquê de as usarmos e o que elas nos fizeram.

Quando lemos estas perguntas pela primeira vez assustou-nos pensar que poderíamos ser adictos. Alguns de nós tentaram afastar esses pensamentos dizendo:

“Ah, essas perguntas não fazem sentido.”,

ou

“Eu sou diferente. Sei que tomo drogas, mas não sou adicto. A verdade é que tenho problemas emocionais/familiares/ profissionais.”,

ou

Eu só estou a ter dificuldades agora em controlar a situação.”,

ou

“Sou capaz de parar quando encontrar a pessoa certa/o emprego certo/etc.!”

Se és um adicto deves admitir primeiro que tens um problema com drogas antes de poderes progredir na recuperação. Estas perguntas, quando respondidas com honestidade, podem ajudar-te a ver como as drogas fizeram com que perdesses o omínio sobre a tua própria vida. A adicção é uma doença que, sem a recuperação, termina em prisões, em hospitais e na morte. Muitos de nós viemos para Narcóticos Anónimos porque as drogas deixaram de fazer aquilo que nós queriamos que fizessem. A adicção leva-nos o orgulho, a auto-estima, a família, aqueles que amamos, até mesmo o nosso próprio desejo de viver. Se ainda não chegaste a esse ponto, não há também necessidade de continuares até lá. Descobrimos que o nosso inferno estava afinal dentro de nós. Se queres ajuda podes encontrá-la em Narcóticos Anónimos.

Procurávamos uma resposta quando encontramos Narcóticos Anónimos. Viemos à nossa primeira reunião de NA derrotados e sem saber o que esperar. Depois de irmos a uma reunião, ou a várias reuniões, começamos a sentir que as pessoas se preocupavam e estavam dispostas a ajudar. Embora as nossas mentes nos dissessem que nunca iríamos conseguir, as pessoas na irmandade davam-nos esperança ao insistirem que poderíamos recuperar. Descobrimos que, independentemente dos nossos pensamentos ou ações passadas, outros tinham pensado e feito o mesmo. Rodeados de outros adictos, compreendemos que já não estávamos sozi-nhos. A recuperação é o que acontece nas nossas reuniões. As nossas vidas estão em jogo. Descobrimos que, ao colocarmos a recuperação em primeiro lugar, o programa resulta. Enfrentamos três conclusões perturbantes:

  1. Somos impotentes perante a nossa adicção e perdemos o domínio sobre as nossas vidas;
  2. Embora não sejamos responsáveis pela nossa doença, somos responsáveis pela nossa recuperação;
  3. Não podemos continuar a culpar pessoas, lugares ou coisas pela nossa adicção. Devemos enfrentar os nossos problemas e os nossos sentimentos. A derradeira ferramenta da recuperação é o adicto em recuperação.”1

1 Narcóticos Anónimos, Texto Básico

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ISBN 78-1-55776-069-2      Portuguese     3/23

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