Quem É Um Adicto?
A maioria de nós não precisa de pensar duas vezes sobre esta pergunta. SABEMOS MUITO BEM! Toda a nossa vida e todos os nossos pensamentos estavam centrados em drogas de uma forma ou outra – o obter, o consumir e encontrar maneiras e meios de obter mais. Vivíamos para consumir e consumíamos para viver. Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva que termina sempre da mesma maneira: prisões, hospitais e morte.
Reimpresso a partir do Texto Básico, Narcóticos Anónimos.
© 1991, 2017 by Narcotics Anonymous World Services, Inc., PO Box 9999, Van Nuys, CA 91409, USA
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Porque Estamos Aqui?
Antes de chegarmos à Irmandade de NA, não tinhamos domí nio sobre as nossas próprias vidas. Não conseguíamos viver e desfrutar a vida como as outras pessoas. Tínhamos de ter algo diferente e achávamos que havíamos encontrado isso nas drogas. Colocamos o seu consumo à frente do bem-estar das nossas famílias, mulheres, maridos e filhos. Tínhamos de conseguir a droga a qualquer custo. Prejudicamos muita gente, mas acima de tudo prejudicamo-nos a nós mesmos. Dada a nossa incapacidade para aceitar responsabilidades pessoais, estávamos de facto a criar os nossos próprios problemas. Parecíamos incapazes de enfrentar a vida tal como ela é.
A maioria de nós compreendeu que, na nossa adicção, estávamos a cometer um suicídio lento, mas a adicção é um inimigo tão manhoso que perdemos o poder para fazer fosse o que fosse em relação a isso. Muitos de nós acabaram na prisão ou procuraram ajuda na medicina, religião e psiquiatria. Nada disso
resultou. A nossa doença voltava sempre à superfície ou continuava a progredir até que, em desespero, procuramos ajuda em Narcóticos Anónimos.
Depois de chegarmos a NA, compreendemos que éramos pessoas doentes. Sofríamos de uma doença para a qual não existe cura. Contudo, pode interromper-se o seu progresso e a recuperação torna-se então possível.
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O Que É o Programa de Narcóticos Anónimos?
NA é uma Irmandade ou associação sem fins lucrativos, de homens e mulheres para quem as drogas se tornaram num problema muito grave. Somos adictos em recuperação que se reúnem regularmente com o intuito de nos ajudarmos mutuamente e de nos mantermos limpos. Este é um programa de abstinência completa de todo o tipo de drogas. Existe apenas um requisito para se ser membro: o desejo de parar de consumir. Sugerimos que mantenhas a mente aberta e dês a ti mesmo uma oportunidade. O nosso programa é composto por princípios escritos de uma forma tão simples que podemos segui-los diariamente. O mais importante é que estes princípios dão resultado.
Em NA, não há afiliação. Não estamos associados a nenhuma organização, não é necessário pagar joia ou quotas, não há juramentos ou promessas. Não estamos ligados a qualquer grupo político, religioso ou policial e não estamos sob vigilância. Qualquer pessoa pode juntar-se a nós independentemente da
idade, raça, orientação sexual, credo, religião ou falta desta.
Não estamos interessados em saber que drogas consumias e em que quantidades, quais eram os teus contactos, o que fizeste no passado, a tua situação económica; apenas queremos saber o que queres fazer acerca do teu problema e como podemos ajudar. O recém-chegado é a pessoa mais importante nas nossas reuniões, pois só podemos conservar aquilo que temos se o dermos aos outros. A nossa experiência coletiva tem-nos mostrado que aqueles que assistem regularmente às nossas reuniões mantêm-se limpos.
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Como Funciona
Se queres o que nós temos para oferecer e estás disposto a fazer o esforço para obtê-lo, então estás preparado para dar determinados passos. Estes são os princípios que tornaram a nossa recuperação possível:
- Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que tínhamos perdido o domínio sobre as nossas vidas.
- Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.
- Decidimos entregar a nossa vontade e as nossas vidas aos cuidados de Deus na forma em que O concebíamos.
- Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
- Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.
- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos estes defeitos de caráter.
- Humildemente pedimos-Lhe que nos livrasse das nossas imperfeições.
- Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e dispusemo-nos a reparar os danos a elas causados.
- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicar essas pessoas ou outras.
- Continuamos a fazer um inventário pessoal e, quando estávamos errados, admitimo-lo prontamente.
- Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar o nosso contacto consciente com Deus na forma em que O concebíamos, pedindo-Lhe apenas pelo conhecimento da Sua vontade em relação a nós e forças para a realizar.
- Tendo experimentado um despertar espiritual como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
Isto parece ser um pedido demasiado grande e não Podemos realizá-lo todo ao mesmo tempo. Não nos tornamos adictos num dia. Lembra-te que devagar se vai ao longe.
Há uma coisa que, mais do que tudo, irá derrotar-nos na nossa recuperação; trata-se de uma atitude de indiferença ou de intolerância para com princípios espirituais. Três destes, indispensáveis, são a honestidade, a mente aberta e a boa vontade. Com eles, estamos no bom caminho.
Acreditamos que a nossa forma de abordar o problema da adicção é completamente realista, já que o valor terapêutico da ajuda de um adicto a outro não tem igual. Acreditamos que o nosso método é prático, pois um adicto pode melhor compreender e ajudar outro adicto. Acreditamos que, quanto mais rapidamente enfrentarmos os nossos problemas dentro da nossa sociedade e na nossa vida quotidiana, tanto mais rapidamente nos tornaremos membros aceitáveis, responsáveis e produtivos da sociedade.
A única forma de não regressar à adicção ativa é não tomar a primeira droga. Se és como nós, sabes que uma é demasiado e mil nunca são suficientes. Pomos grande ênfase nisto, pois sabemos que, quando consumimos drogas sob qualquer forma ou substituimos uma por outra, libertamos a nossa adicção novamente.
Pensar que o álcool é diferente das outras drogas fez com que muitos adictos recaíssem. Antes de chegarmos a NA, muitos de nós encaravam o álcool separadamente, mas não nos Podemos dar ao luxo de nos enganar. O álcool é uma droga. Somos pessoas com uma doença chamada adicção e devemos abster-nos de qualquer droga para podermos recuperar.
Os Doze Passos foram reimpressos para adaptação com autorização de AA World Services, Inc.
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As Doze Tradições de Narcóticos Anónimos
Mantemos o que temos graças à vigilância e, tal como a liberdade para o indivíduo advém dos Doze Passos, a Liberdade coletiva baseia-se nas nossas Tradições.
Tudo correrá bem sempre que as forças que nos unem sejam maiores do que as que nos tentam separar.
- O nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a recuperação individual depende da unidade de NA.
- Ao nosso propósito comum preside apenas uma autoridade – um Deus amoroso que se manifesta na nossa consciência coletiva. Os nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
- O único requisito para se ser membro é um desejo de parar de consumir.
- Cada grupo deverá ser autónomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a NA no seu todo.
- Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de levar a sua mensagem ao adicto que ainda sofre.
- Um grupo de NA nunca deverá apoiar, financiar ou ceder o nome de NA a qualquer empreendimento afim ou alheio à Irmandade, para que os problemas de dinheiro, propriedade ou prestígio não nos afastem do nosso propósito primordial.
- Todo o grupo de NA deverá ser completamente autossustentável, declinando quaisquer doações de fora.
- Narcóticos Anónimos deverá manter-se sempre não-profissional, mas os nossos centros de serviço podem contratar trabalhadores especializados.
- NA nunca deverá organizar-se como tal, mas podemos criar comités ou comissões de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
- Narcóticos Anónimos não tem opinião sobre questões alheias; o nome de NA nunca deverá, assim, aparecer em controvérsias públicas.
- As nossa abordagem nas relações com o público baseia-se na atração em vez da promoção; na imprensa, rádio e televisão, cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal.
- O anonimato é o alicerce espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre a necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
A compreensão destas Tradições vem devagar e com o tempo. Informamo-nos ao falarmos com outros membros e ao visitarmos outros grupos. Geralmente, não é senão quando nos envolvemos em serviço que alguém faz notar que “a recuperação pessoal depende da unidade de NA” e que esta unidade depende da maneira como melhor seguirmos as nossas Tradições. As Doze Tradições de NA não são negociáveis. São as linhas orientadoras que mantêm a nossa Irmandade viva e livre.
Ao seguirmos estas linhas orientadoras quando lidamos com os outros e com a sociedade em geral, evitamos muitos problemas. Isto não significa que as nossas Tradições eliminem todos os problemas. Não deixaremos de ter de enfrentar as dificuldades à medida que elas surgem: problemas de comunicação, diferenças de opinião, controvérsias internas e problemas com indivíduos e grupos fora da Irmandade. Contudo, podemos evitar algumas armadilhas quando aplicamos estes princípios.
Muitos dos nossos problemas são iguais aos que outros antes de nós tiveram de enfrentar. A sua experiência, ganha com dificuldade, deu origem às Tradições e a nossa própria experiência tem demonstrado que estes princípios são tão válidos hoje como o eram quando estas tradições foram formuladas. As nossas Tradições protegem-nos das forças internas e externas que poderiam destruir-nos. São, na verdade, os laços que nos mantêm juntos. É unicamente através da sua compreensão e da sua aplicação que resultam.
As Doze Tradições foram reimpressas para adaptação com autorização de AA World Services, Inc.
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Só por Hoje
Diz para ti:
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É Possível Recuperar
Quando, no fim do caminho, descobrimos que já não conseguimos funcionar como um ser humano, seja com ou sem drogas, enfrentamos todos o mesmo dilema: o que nos resta fazer? Parece haver a seguinte alternativa: continuar, da melhor maneira possível, até ao trágico fim – prisões, hospitais ou morte – ou encontrar um novo modo de vida. No passado, poucos adictos tiveram esta última hipótese. Hoje, temos mais sorte. Pela primeira vez na história da humanidade, um método simples tem vindo a comprovar-se nas vidas de muitos adictos. Está disponível para todos nós. Trata-se de um simples programa espiritual – não religioso – conhecido como Narcóticos Anónimos.
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