Doze Conceitos para o Serviço em NA
Os Doze Passos
- Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.
- Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade.
- Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, da maneira como nós O compreendíamos.
- Fizemos um profundo e destemido inventário moral de nós mesmos.
- Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.
- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
- Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.
- Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a fazer reparações a todas elas.
- Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo pudesse prejudicá-las ou a outras.
- Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
- Procuramos, através de prece e meditação, melhorar o nosso contato consciente com Deus, da maneira como nós O compreendíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós e o poder de realizar essa vontade.
- Tendo experimentado um despertar espiritual, como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
Os Doze Passos e as Doze Tradições são reproduzidos com autorização de AA World Services, Inc.
Os Doze Conceitos foram inspirados nos Doze Conceitos para os Serviços Mundiais de AA, publicados por Alcoholics Anonymous World Services, Inc., e foram adaptados às necessidades específicas de Narcóticos Anónimos.
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Tradução de literatura aprovada pela Irmandade de NA.
Narcotics Anonymous,
e The NA Way
são marcas registradas de
Narcotics Anonymous World Services, Incorporated.
ISBN 978-1-63380-100-4 Portuguese 9/16
WSO Catalogue Item No. PB-1164
INDICE
| Introdução | v |
| Os Doze Conceitos para o serviço de NA | 1 |
| Primeiro Conceito | 3 |
| A responsabilidade primordial de um grupo de NA é garantir a realização das suas reuniões de recuperação. Os grupos reúnem a sua força na estrutura de serviço, garantindo que outros serviços – como H&I, IP e desenvolvimento de literatura – sejam realizados com eficiência e sem distrair os grupos do seu propósito primordial. | |
| Segundo Conceito | 4 |
| Os grupos têm a responsabilidade e autoridade final sobre a estrutura de serviço que criaram. Também exercem a sua autoridade ao cumprir com a responsabilidade de fornecer à estrutura de serviço a consciência, as ideias, as pessoas e o dinheiro de que esta necessita. Em troca, a estrutura de serviço deve sempre procurar o apoio e a orientação dos grupos. |
| Terceiro Conceito | 7 |
| Nos assuntos quotidianos, os grupos deram aos comités e comissões de serviço a autoridade prática necessária para a realização do respetivo trabalho. Isto não é um cheque em branco entregue à estrutura de serviço; os grupos continuam a ter a autoridade final. Para que o Terceiro Conceito funcione, temos de eleger cuidadosamente os servidores de confiança. |
| Quarto Conceito | 9 |
| A liderança é muito importante para o bem-estar de nossa Irmandade. O texto sobre este conceito descreve uma série de qualidades de liderança a serem consideradas quando selecionamos servidores de confiança. |
| Quinto Conceito | 13 |
| Ao definir um único ponto de decisão para cada tarefa de serviço, eliminamos a confusão sobre quem tem autoridade para fazer o quê. Clarificamos também a responsabilização pelos nossos serviços: quem recebeu a autoridade para um determinado serviço prestará contas pela realização dessa tarefa. |
| Sexto Conceito | 15 |
| A consciência de grupo é o meio pelo qual utilizamos o despertar espiritual dos Doze Passos para tomar decisões relacionadas com o serviço. É fundamental para o processo de tomada de decisão na nossa irmandade. Contudo, não é um mero sinónimo para “votação” e não é por si só o pro- cesso de tomada de decisão em NA. |
| Sétimo Conceito | 18 |
| Todos os membros de um órgão de serviço assumem uma responsabilidade importante na tomada de decisões desse órgão; por isso, a todos eles deve ser permitido participar plenamente no processo de tomada de decisão. O serviço em NA é um trabalho de equipa. A participação plena de cada membro da equipa é valiosa, pois procuramos expressar-nos através da consciência coletiva do todo. |
| Oitavo Conceito | 19 |
| A comunicação regular é essencial ao cumprimento de todos estes conceitos e também à integridade e eficiência de nossos serviços. |
| Nono Conceito | 22 |
| Para rever opiniões, para proteger-nos de decisões precipitadas ou mal informadas e para convidar à participação de opiniões novas, os nossos serviços devem considerar todos os pontos de vista quando elaboram planos. Isto é essencial para um desenvolvimento justo, sensato e equilibrado da consciência de grupo. |
| Décimo Conceito | 25 |
| Para rever opiniões, para proteger-nos de decisões precipitadas ou mal informadas e para convidar à participação de opiniões novas, os nossos serviços devem considerar todos os pontos de vista quando elaboram planos. Isto é essencial para um desenvolvimento justo, sensato e equilibrado da consciência de grupo. |
| Décimo Primeiro Conceito | 27 |
| O Décimo Primeiro Conceito estabelece a única prioridade absoluta para usar os fundos de NA: levar a mensagem. A importância dessa prioridade exige a total prestação de contas financeiras. As contribuições diretas a cada nível da estrutura de serviço permitem que nos concentremos no nosso propósito primordial e aumentam a responsabilização. |
| Décimo Segundo Conceito | 31 |
| No contexto dos Doze Conceitos como um todo, o Décimo Segundo desempenha uma função parecida com a da Décima Segunda Tradição no contexto das tradições. Este conceito leva a nossa atenção para a raiz espiritual do serviço desinteressado. “Uma estrutura baseada nesse alicerce só pode ser de serviço, nunca de governo”. |
| Materiais de estudo e debate | 34 |
Introdução
Como irmandade, Narcóticos Anónimos é definida pelos seus princípios. Os nossos Doze Passos pormenorizam o nosso programa de recuperação pessoal. As nossas Doze Tradições relatam a experiência que pode ajudar os grupos de NA a manterem a sua unidade. E os nossos Doze Conceitos de Serviço são princípios orientadores para a nossa estrutura de serviço. Os conceitos resumem a experiência arduamente adquirida nos primeiros quarenta anos da nossa irmandade em temas como a responsabilidade, a autoridade, a delegação, a liderança, a prestação de contas, a orientação espiritual, a participação, a comunicação, a tolerância, a imparcialidade e as finanças. Em conjunto, os Doze Conceitos garantem que a estrutura de serviço da nossa irmandade permaneça sempre dedicada ao serviço, nunca ao governo.
Os Doze Conceitos para o Serviço em NA são um acréscimo ao conjunto de princípios que guiam a nossa irmandade, relativamente recente. Desde os primórdios de NA, no início dos anos 50, utilizamos os Doze Passos para nos guiar na nossa recuperação pessoal e as Doze Tradições para orientar os nossos grupos. As tradições conferem poder aos grupos para que criem uma estrutura de serviço diretamente responsável perante eles próprios. Estas tradições também oferecem princípios fundamentais que orientam os nossos esforços coletivos. O nosso bem-estar comum e unidade, a autoridade única de um Deus amoroso, a liderança como forma de serviço e não de governo, a autonomia do grupo, o propósito primordial da nossa irmandade, cooperação sem afiliação, autossustento, contratação de trabalhadores especializados, atracão em vez de promoção, anonimato perante o público – os princípios das nossas Doze Tradições oferecem-nos sem dúvida orientação para tudo o que fazemos enquanto irmandade. Contudo, as Doze Tradições foram especialmente concebidas para orientar os grupos de NA, e nunca foi sua intenção fornecer a orientação específica de que a nossa estrutura de serviço necessita para servir. Os Doze Conceitos foram criados para preencher essa necessidade.
A começar pelo Primeiro, os conceitos descrevem a criação da estrutura de serviço por parte dos grupos, a responsabilidade e autoridade finais dos serviços de NA e a autoridade prática que os grupos delegam nas nossas comissões e comités de serviço para o desenvolvimento e manutenção de serviços em nome de NA como um todo. Os conceitos reconhecem que a autoridade de serviço deve ser delegada com cuidado, focando as qualidades que é preciso ter em conta para eleger líderes responsáveis e sublinhando a importância de uma comunicação aberta e regular através de toda a nossa estrutura de serviço para poder manter um sistema de responsabilização. Recomendam que cada responsabilidade de serviço se defina claramente desde o início para reduzir a confusão na atribuição e preenchimento de um cargo e na resposta por parte dos serviços de NA. Ao reportarem-se aos processos de tomada de decisão utilizados nos nossos serviços, os conceitos recordam-nos da base espiritual, bem como da sabedoria prática e ética em envolver todos os elementos e manter a mente aberta. Para protegermos o uso incorreto da autoridade delegada, os servidores de confiança podem recorrer a um processo de desagravo. A utilização responsável dos fundos de NA, que é um assunto frequente nas discussões de serviços, aborda-se com franqueza. Por último, assim como as doze tradições terminam resumindo-se numa só palavra, anonimato, os Doze Conceitos oferecem um princípio fundamental que serve de base a todos os conceitos: “a nossa estrutura deve ser sempre de serviço, nunca de governo”.
A partir de agora, os Doze Conceitos para o Serviço em NA pertencem à Irmandade de NA. É um guia prático para a realização dos nossos serviços, desde o serviço de grupo até ao serviço a nível mundial. Até que ponto os Doze Conceitos são “válidos”? A vossa experiência na sua aplicação determinará a sua validade. São válidos desde que demonstrem a sua utilidade. Contudo, assim como os Passos se relacionam com a nossa experiência coletiva de recuperação e as Tradições com a nossa experiência com a unidade do grupo, os Doze Conceitos resumem uma ampla experiência de serviço em NA, experiência essa que devemos considerar e aplicar quando seja apropriado.
Os Doze Conceitos para o serviço em NA
As Doze Tradições de NA têm orientado os nossos grupos na condução dos seus assuntos individuais e constituem a base para o serviço em NA. Têm-nos também desviado de muitas armadilhas que poderiam ter levado à nossa desintegração. Por exemplo, os nossos vários grupos de serviço servem, não governam; mantemo-nos afastados de debates públicos; não apoiamos nem nos opomos a nenhuma das muitas causas a que os nossos membros possam sentir-se fortemente ligados; a nossa abordagem à adição é não-profissional; somos absolutamente autossustentados. As Tradições têm dado à nossa irmandade orientação essencial ao longo do seu desenvolvimento e continuam a ser indispensáveis.
Os Doze Conceitos para o Serviço em NA aqui descritos destinam-se a ser aplicados, na prática, por todos os níveis da nossa estrutura de serviço. Os ideais espirituais dos nossos Passos e Tradições fornecem as bases para estes conceitos, que são feitos à medida das necessidades específicas da estrutura de serviço da nossa irmandade. Os conceitos encorajam os nossos grupos a alcançarem com maior prontidão os ideais das nossas Tradições e incentivam a nossa estrutura de serviço a funcionar com eficácia e responsabilidade.
Estes conceitos foram moldados a partir da nossa experiência. Não são para serem tomados como “leis” para o serviço em NA, mas simplesmente como princípios orientadores. Descobrimos que os nossos serviços ganham estabilidade quando aplicamos conscienciosamente estes conceitos. Tal como os nossos Passos têm estabilizado as nossas vidas e as Tradições têm estabilizado e unido os nossos grupos, os Doze Conceitos orientam os nossos serviços e ajudam a assegurar que a mensagem de Narcóticos Anónimos esteja ao alcance de todos os aditos que tenham um desejo de parar de consumir e de começar a praticar o nosso modo de vida.
- A fim de cumprirem o propósito primordial da nossa irmandade, os grupos de NA juntaram-se para criar uma estrutura que desenvolve, coordena e mantém serviços em nome de NA no seu todo.
- A responsabilidade e a autoridade final pelos serviços de NA encontram-se nos grupos de NA.
- Os grupos de NA delegam na estrutura de serviço a autoridade necessária para cumprir as responsabilidades que lhe estão atribuídas.
- Uma liderança eficiente é altamente prezada em Narcóticos Anónimos. As qualidades de liderança deverão ser cuidadosamente consideradas aquando da escolha de servidores de confiança.
- Para cada responsabilidade atribuída à estrutura de serviço, deverá ser claramente definido um ponto único de decisão e de responsabilização.
- A consciência de grupo constitui o processo espiritual através do qual convidamos um Deus amantíssimo a influenciar as nossas decisões.
- Todos os membros de um órgão de serviço suportam uma responsabilidade substancial pelas decisões desse órgão e deverá ser-lhes permitida uma participação plena nos processos de tomada de decisão.
- A nossa estrutura de serviço depende da integridade e eficácia das nossas comunicações.
- Todos os elementos da nossa estrutura de serviço têm a responsabilidade de ponderar cuidadosamente todos os pontos de vista nos seus processos da tomada de decisão.
- Qualquer membro de um órgão de serviço pode solicitar a esse órgão a reparação de uma injustiça pessoal, sem receio de represálias.
- Os fundos de NA deverão ser utilizados para promover o nosso propósito primordial e deverão ser geridos com responsabilidade.
- A fim de seguir a natureza espiritual de Narcóticos Anónimos, a nossa estrutura deverá ser sempre uma estrutura de serviço e nunca de governo.
Primeiro Conceito
A fim de cumprirem o propósito primordial da nossa irmandade, os grupos de NA juntaram-se para criar uma estrutura que desenvolve, coordena e mantém serviços em nome de NA no seu todo.
O propósito primordial da nossa irmandade é o de transmitir a mensagem “de que um adito, qualquer adito, pode parar de usar drogas, perder o desejo de as usar e encontrar um novo modo de vida”. Uma das principais formas pela qual é transmitida a mensagem, de adito para adito, é através das nossas reuniões. Estas reuniões de recuperação, realizadas milhares de vezes em cada dia pelos grupos de NA existentes em todo o mundo, constituem o serviço mais importante proporcionado pela nossa irmandade.
Contudo, embora as reuniões de recuperação constituam o serviço mais importante de NA, não são o único meio que temos de levar a cabo o propósito primordial da nossa irmandade. Outros serviços de NA atraem o adito que ainda sofre às nossas reuniões, levam a nossa mensagem a aditos em instituições, tornam acessível a literatura de recuperação e proporcionam oportunidades para os grupos partilharem a sua experiência uns com os outros. Nenhum destes serviços, por si só, se aproxima sequer do valor das reuniões de recuperação dos grupos na transmissão da nossa mensagem; no entanto, cada um desempenha o seu próprio e indispensável papel no programa global delineado pela Irmandade de NA para cumprir o seu propósito primordial.
Juntos conseguimos fazer aquilo que não realizaríamos separadamente. Isto é verdade na nossa recuperação pessoal e é igualmente verdade nos nossos serviços. Em comunidades recentes de NA, os grupos costumam realizar serviços básicos, em paralelo com as suas reuniões. Mas a concretização de todo o leque de serviços de NA – linhas telefónicas, painéis de H&I, trabalho de informação pública, ajuda a grupos e membros afastados e tudo o resto – geralmente requer mais pessoas e dinheiro do que um único grupo consegue disponibilizar. O grau de organização necessário para realizar tais responsabilidades iria desviar a maioria dos grupos da transmissão da mensagem de NA nas suas reuniões. Além disso, a falta de coordenação entre os grupos que realizassem sozinhos vários serviços poderia resultar na duplicação, confusão e desperdício de recursos. Por estes motivos, a maioria dos grupos não assume por si só tais responsabilidades.
Então como podem os grupos de NA assegurar o cumprimento destes serviços? Através da junção dos seus recursos; unindo-se para criar uma estrutura que desenvolva, coordene e mantenha esses serviços por eles e deixando assim os grupos livres para cumprirem a sua responsabilidade primordial.
Segundo Conceito
A responsabilidade e a autoridade final pelos serviços de NA encontram-se nos grupos.
A estrutura de serviço de NA foi criada pelos grupos a fim de servir as suas necessidades comuns. Os comités e as comissões de serviço da nossa irmandade existem para ajudar os grupos a partilharem a sua experiência e assim fornecerem instrumentos que os ajudem a funcionar melhor, para atrair novos membros às reuniões de recuperação e para levar a mensagem de NA mais longe do que qualquer grupo por si só conseguiria. Como foram os grupos que criaram a estrutura de serviço, são também eles que têm a autoridade final sobre todos os seus assuntos. Pela mesma razão, os grupos também têm a responsabilidade final pelo apoio a todas as suas atividades. Uma acompanha a outra.
A responsabilidade e a autoridade são, idealmente, as duas faces da mesma moeda; o exercício de uma é também um exercício da outra. Quando os nossos grupos fornecem os recursos – consciência e ideias, pessoas e dinheiro – necessários para assegurar os serviços de NA, também estão a providenciar a orientação para a estrutura de serviço. Vejamos alguns exemplos de como este princípio funciona.
O recurso mais importante com que um grupo de NA contribui para a estrutura de serviço é quase exclusivamente espiritual: são as suas ideias e a sua consciência. Sem a voz dos grupos, a estrutura de serviço poderá não saber que tipos de serviços serão necessários ou se os serviços que ela proporciona são aqueles que os grupos pretendem. Os grupos fornecem as ideias e a direção necessária para guiar a estrutura de serviço no cumprimento das suas responsabilidades. Ao exprimirem as suas necessidades e preocupações, os grupos exercitam também a sua autoridade sobre a estrutura de serviço que criaram.
As pessoas que dão o seu tempo para o serviço constituem um recurso vital; sem elas, as nossas comissões e subcomissões de serviço não existiriam, muito menos seriam capazes de servir. A responsabilidade do grupo para com a estrutura de serviço é a de eleger um representante de serviço do grupo que servirá os melhores interesses do grupo e de toda a irmandade de NA. Ao escolher cuidadosamente o seu RSG e ao dar, depois, a essa pessoa um apoio e uma orientação regulares, o grupo exercita a sua capacidade de influenciar os serviços de NA, tanto direta como indiretamente. Ao escolher um RSG qualificado e ao enviá-lo para servir em nome do grupo, este cumpre uma grande parte da sua responsabilidade e também da sua autoridade pelos serviços de NA.
O dinheiro é necessário para levar a cabo os serviços de NA. Sem ele, as nossas linhas telefónicas seriam desligadas, as nossas listas de reuniões não seriam impressas, não haveria literatura de NA para distribuir, os nossos painéis de H&I não teriam folhetos e os nossos trabalhadores de informação pública não poderiam fornecer à comunidade material escrito sobre a nossa irmandade. No Décimo Primeiro Conceito, falaremos mais acerca da utilização de dinheiro no cumprimento do nosso propósito primordial. Contudo, a mensagem do Segundo Conceito em relação ao dinheiro é simples: uma vez que os grupos criaram a estrutura de serviço para levar a cabo determinada tarefas, os grupos são igualmente responsáveis por fornecer os fundos necessários.
Até aqui, temos visto aquilo que o Segundo Conceito diz ao grupo de NA. Este conceito também se dirige à estrutura de serviço. Os grupos têm, direta ou indiretamente, criado todos os nossos comités e comissões de serviço e proporcionando os recursos utilizados por esses mesmos comités e comissões de serviço. Têm estabelecido a estrutura de serviço como um meio através do qual, juntos, podem cumprir melhor o propósito primordial da nossa irmandade. Assim, em todos os assuntos de todos os seus elementos, a estrutura de serviço deverá considerar cuidadosamente as necessidades e os desejos dos grupos. O Segundo Conceito pode ser visto como a forma de os grupos dizerem à estrutura de serviço de NA: “Sejam responsáveis com os recursos espirituais, humanos e financeiros que nós vos fornecemos. Peçam-nos conselhos; não ignorem as nossas orientações.”
Os grupos de NA detêm a autoridade final em todos os assuntos de serviço da nossa irmandade e deverão ser consultados regularmente em todos os assuntos que os afetem diretamente. Por exemplo, as propostas para alteração dos Doze Passos, Doze Tradições, o nome, a natureza ou o propósito de NA, deverão ser aprovadas diretamente pelos grupos. Do mesmo modo, se algo correr mal na estrutura de serviço, os grupos de NA serão responsáveis por tomar medidas construtivas destinadas a ajudar a corrigir o problema. A nossa experiência mostra que uma atitude radical, tomada à pressa, não servirá convenientemente nem os grupos nem os nossos serviços. Dado que a mudança raramente ocorre de um dia para o outro, poderá ser necessário paciência e aceitação. Não obstante, o exercício da autoridade final pelo serviço de NA, uma peça vital do sistema de serviço estabelecido pela nossa irmandade, é ao mesmo tempo um direito e responsabilidade dos grupos.
Terceiro Conceito
Os grupos de NA delegam na estrutura de serviço a autoridade necessária para cumprir as responsabilidades que lhe estão atribuídas.
Os grupos de NA detêm a responsabilidade e a autoridade final pela estrutura de serviço que criaram. Mas, se tiverem de se envolver diretamente na tomada de decisões de todos os nossos comités e comissões de serviço, ficarão com pouco tempo ou energia para transmitirem a mensagem de recuperação nas suas reuniões. Por esta razão, os grupos delegam na estrutura de serviço a autoridade para tomar as decisões necessárias ao cumprimento das tarefas que lhe são confiadas.
A delegação de autoridade pode ajudar muito a libertar tanto os nossos grupos como os nossos serviços. As decisões de serviço que não afetem diretamente os grupos podem ser tomadas imediatamente; as nossas linhas telefónicas, os painéis de H&I, os trabalhos de informação pública e os projetos de desenvolvimento de literatura podem avançar a toda a velocidade para servirem o propósito primordial de NA. E aos nossos grupos não é exigido que ratifiquem todas as decisões tomadas em seu nome, nos diversos níveis de serviço, ficando livres para dedicarem toda a sua atenção à transmissão da mensagem de NA nas suas reuniões.
É costume utilizarmos moções e linhas orientadoras para nos ajudarem a aplicar o Terceiro Conceito. Descrevemos claramente cada tarefa que queremos ver realizada e o tipo de autoridade que estamos a delegar naqueles que irão levá-la a cabo. No entanto, até mesmo o conjunto mais exaustivo de linhas orientadoras não pode ter em conta todas as eventualidades. Os nossos servidores de confiança irão servir-nos melhor quando lhes dermos liberdade para exercitarem o seu melhor juízo no cumprimento das responsabilidades que lhes atribuímos. Os nossos serviços deverão manter-se diretamente responsáveis perante aqueles a quem servem, mas deverá igualmente ser-lhes dada uma certa liberdade de ação no cumpriment dos seus deveres. O grupo, comissão ou subcomissão de serviço deverá consultar a sua consciência coletiva para chegar ao seu próprio entendimento da melhor forma de aplicar este conceito.
Por vezes, receamos que delegação signifique perda de controlo sobre os nossos serviços. Os Conceitos Um, Dois e Três foram delineados para, em conjunto, nos ajudarem a manter a responsabilidade pela nossa estrutura de serviço, sem que limitemos os nossos servidores de confiança. O Terceiro Conceito encoraja os nossos grupos a concentrarem-se nas suas próprias responsabilidades, assegurando ao mesmo tempo que seja dada à estrutura de serviço a autoridade de que necessita para assegurar outros serviços de NA que sejam necessários. Os nossos Doze Conceitos não pedem aos nossos grupos que abdiquem da sua autoridade, deixando que a estrutura de serviço faça aquilo que quiser. Afinal de contas, os grupos estabeleceram a estrutura de serviço para que atue em seu nome e sob a sua direção. E quando os grupos necessitarem de exercitar a autoridade final em assuntos de serviço, são encorajados a fazê-lo. No entanto, em assuntos de rotina, os grupos delegaram nos nossos comités e comissões de serviço a autoridade prática necessária para realizar as tarefas que lhes foram atribuídas.
A delegação de autoridade pode conter alguns riscos, se não a realizarmos de forma responsável. Para que o Terceiro Conceito funcione, os outros conceitos também deverão ser aplicados consistentemente. Mais importante ainda, deveremos dar uma atenção cuidada à seleção dos servidores em quem poderemos confiar. Não podemos delegar responsavelmente a autoridade naqueles que sejam fundamentalmente incapazes de administrar essa autoridade ou que não estejam dispostos a responsabilizarem-se inteiramente pelas suas ações. Contudo, se selecionarmos cuidadosamente os nossos líderes, escolhendo aqueles em que possamos confiar para utilizarem responsavelmente a autoridade delegada no cumprimento das tarefas que lhes atribuímos, poderemos sentir-nos muito mais confortáveis com o conceito de delegação.
Quando damos uma tarefa aos nossos servidores de confiança, deveremos descrever-lhes adequadamente a tarefa que queremos ver realizada e prestar-lhes o apoio de que necessitem para a completarem. Depois, uma vez dadas as informações e prestado o apoio, deveremos delegar-lhes a autoridade necessária para tomarem decisões relacionadas com a tarefa que lhes foi confiada. Quando os nossos grupos delegam autoridade suficiente na nossa estrutura de serviço, já não precisam de ser sobrecarregados com a exigência de terem de tomar todas as decisões de serviço a todos os níveis de serviço e o propósito primordial da nossa irmandade poderá então ser inteiramente servido. Com o Terceiro Conceito devidamente aplicado, os grupos ficam livres para realizar reuniões de recuperação e levar a mensagem de NA diretamente ao adito que ainda sofre, confiantes de que a estrutura de serviço que criaram tem a autoridade necessária para tomar as decisões que envolvem o cumprimento das suas responsabilidades.
Quarto Conceito
Uma liderança eficiente é altamente prezada em Narcóticos Anónimos. As qualidades de liderança deverão ser cuidadosamente consideradas aquando da escolha de servidores de confiança.
A confiança necessária para se delegar a autoridade de serviço baseia-se na escolha cuidada de servidores de confiança. Nos parágrafos seguintes, sublinhamos uma série de qualidades a serem consideradas na escolha dos nossos servidores de confiança. Nenhum líder irá personificar todas estas qualidades; elas constituem os ideais de uma liderança eficiente aos quais todo o servidor de confiança aspira. Quanto mais considerarmos estas qualidades na escolha de líderes de NA, melhor serão os nossos serviços.
A história pessoal e as habilitações profissionais ou literárias, embora úteis, não contribuem necessariamente para uma liderança eficiente. Afinal, ao escolhermos servidores de confiança, é na pessoa como um todo que confiamos, não apenas nas suas aptidões. E uma das primeiras coisas que procuramos quando escolhemos servidores de confiança é humildade. Ser-se escolhido para liderar, para servir, para aceitar responsabilidades, constitui uma experiência de humildade para um adito em recuperação. Ao continuarem a trabalhar os Doze Passos, os nossos servidores de confiança vieram a conhecer não só as suas qualidades, como também os seus defeitos e as suas limitações. Cientes disso, concordaram em servir a nossa irmandade o melhor que puderem, com a ajuda de Deus. Os bons líderes de NA não julgam que têm de fazer tudo sozinhos; pedem regularmente ajuda, conselhos e orientação. Os líderes da nossa irmandade não deverão ser ditadores nem deverão dar ordens; eles são nossos servidores.
Uma liderança capaz, num espírito de serviço, não é guiada por um mandato arrogante, exigindo submissão; em vez disso, lidera através do exemplo, convidando ao respeito. E nada nos convida mais a respeitar os nossos servidores de confiança do que a constatação evidente da sua humildade. Uma liderança eficaz em NA reflete toda uma série de caraterísticas pessoais associadas a um despertar espiritual. Nós dependemos daqueles que nos servem para nos relatarem integralmente e com veracidade as suas atividades. Os nossos líderes deverão ter a integridade necessária para escutar adequadamente os outros e, em simultâneo, serem capazes de rapidamente defenderem princípios sólidos, chegarem a um entendimento e discordarem sem haver discórdia, demonstrarem a coragem das suas convicções e saberem render-se. Os nossos líderes deverão ter a integridade necessária para escutar adequadamente os outros e, em simultâneo, serão capazes de defender princípios sólidos com rapidez, chegar a um entendimento e discordar sem serem desagradáveis, demonstrar coragem nas suas convicções e saber render-se. Nós procuramos servidores de confiança que estejam dispostos a despender o seu tempo e energias num serviço zeloso pelos outros, estudando os recursos materiais disponíveis, consultando aqueles com maior experiência na sua responsabilidade e cumprindo cuidadosamente as tarefas que lhes confiámos, da forma mais completa possível. A honestidade, uma mente aberta e a boa vontade, indispensáveis na recuperação, são também essenciais à liderança.
Qualquer membro de NA pode ser um líder e todo o membro de NA tem o direito de servir a irmandade. Uma liderança eficiente em NA não só sabe como servir, como também sabe que, por vezes, servir melhor é afastar-se deixando que outros tomem conta do serviço. Uma burocracia entrincheirada inibe o crescimento da nossa irmandade, ao passo que um fluxo regular de novas lideranças, equilibrado pela continuidade, inspirará o crescimento de NA. O líder eficiente sabe também que, a fim de manter a distinção em serviço entre princípios e personalidades, é importante observar-se a prática da rotatividade.
Em alguns cargos, os servidores de confiança necessitarão de conhecimentos específicos a fim de atuarem como líderes eficientes. A capacidade de comunicação pode ajudar os nossos servidores de confiança a partilhar informação e ideias, tanto em trabalhos de comité como a reportar àqueles a quem servem. As qualidades de organização ajudam os servidores de confiança a manterem simples as pequenas responsabilidades de serviço e também a fazerem avançar o cumprimento de tarefas complexas. Os líderes capazes de discernir onde as tarefas que temos em mão irão levar-nos e de nos orientar na preparação das exigências futuras servem Narcóticos Anónimos com eficiência. Certas experiências educativas, profissionais, pessoais e de serviço podem adequar um adito em recuperação mais a certo tipo de compromissos de serviço do que a outros. Estaremos a prestar um mau serviço a nós próprios, à nossa irmandade e aos servidores de confiança, se pedirmos aos nossos membros para realizarem tarefas que eles não sejam capazes de cumprir.
Quando consideramos cuidadosamente as qualidades de liderança daqueles a quem pedimos para servir, podemos confiar-lhes o espaço de que necessitam para exercitarem essas qualidades em nosso nome. Podemos dar aos líderes eficientes a liberdade de servirem, especialmente quando eles demonstram a sua responsabilização perante nós, relatando regularmente o seu trabalho e solicitando, quando necessário, orientações adicionais. É verdade que os nossos líderes são somente servidores de confiança e não governantes, mas também esperamos que os nossos servidores de confiança nos guiem. Se os escolhermos cuidadosamente, podemos confiantemente deixar que o façam.
Uma liderança eficiente é altamente prezada em NA e o Quarto Conceito fala das qualidades que deveremos considerar ao escolhermos os nossos líderes. Deveremos, contudo, lembrar-nos de que o cumprimento de muitas responsabilidades de serviço não exige mais do que a boa vontade de servir. Outras responsabilidades, embora exijam certas capacidades específicas, dependem muito mais, para a sua realização, da maturidade espiritual do servidor de confiança e da sua integridade pessoal. A boa vontade, a intensidade espiritual e a lealdade constituem fortes demonstrações do tipo de liderança que é mais prezado em Narcóticos Anónimos.
Deveremos lembrar-nos também de que os líderes de NA não são só aqueles que elegemos para cargos. As oportunidades para um serviço desinteressado surgem para onde quer que nos viremos em Narcóticos Anónimos. Os membros de NA exercitam a liderança pessoal ao ajudarem a arrumar uma sala depois de uma reunião, ao colocarem um cuidado acrescido em receber os recém-chegados à nossa irmandade e de muitas outras formas. Enquanto aditos em recuperação, qualquer um de nós pode preencher cargos de liderança, constituindo um exemplo saudável e servindo a nossa irmandade. Este espírito modesto de servir os outros constitui as bases do nosso Quarto Conceito e da própria liderança em NA.
Quinto Conceito
Para cada responsabilidade atribuída à estrutura de serviço, deverá ser claramente definido um único ponto de decisão e de responsabilização.
O ponto-chave para a aplicação do Quinto Conceito reside na definição da tarefa que é necessário realizar e a forma mais fácil de o aplicar será logo no momento da atribuição da tarefa. Ao criarmos uma tarefa de serviço, deveremos considerar o tipo de autoridade que temos de delegar para que a tarefa seja cumprida e o tipo de responsabilização que deveremos exigir a quem estamos a confiar essa mesma tarefa. Um dado servidor de confiança, comissão ou subcomissão de serviço deverá então ser designado como centro único de decisão e de responsabilização para essa tarefa. Este princípio simples aplica-se a todos os serviços providenciados em Narcóticos Anónimos, desde o grupo até aos nossos serviços mundiais.
Quando decidimos que uma dada tarefa de serviço deverá ser feita e dizemos claramente que servidor de confiança, comissão ou subcomissão de serviço detém a autoridade para realizar a tarefa, evitamos confusões desnecessárias. Não teremos dois comités a tentar realizar a mesma tarefa, a duplicar esforços ou a discutir sobre autoridade. Os relatórios de um projeto vêm diretamente do ponto único de decisão existente para esse projeto, fornecendo a melhor informação disponível. Uma responsabilidade de serviço que seja atribuída pode ser assegurada rápida e diretamente, pois não existem dúvidas sobre a quem pertence a responsabilidade. E se surgirem problemas num projeto, sabemos exatamente onde ir para os resolver. Fazemos bem em especificar claramente a quem é dada a autoridade para cada responsabilidade de serviço.
O ponto único de decisão que definimos para cada responsabilidade de serviço é também um ponto único de responsabilização. Tal como já vimos no Quarto Conceito e como iremos ver à frente no Oitavo Conceito, a responsabilização é uma caraterística central da maneira de servir em NA. Quando atribuímos aos nossos servidores de confiança a responsabilidade por uma determinada tarefa de serviço, tornamo-los responsáveis pela autoridade que lhes delegámos. Esperamos que eles se mantenham acessíveis, mantendo-nos regularmente ao corrente dos seus progressos e consultando-nos acerca das suas responsabilidades.
Responsabilização não significa que deleguemos autoridade para logo a seguir irmos tirá-la. Significa simplesmente que queremos ser informados das decisões que os nossos servidores de confiança vão considerando, à medida que enfrentam as tarefas que lhes atribuímos. Queremos ter a oportunidade de influenciar essas decisões, especialmente se elas nos afetarem diretamente, e queremos ser mantidos ao corrente de cada responsabilidade que atribuímos à estrutura de serviço, para que, caso haja problemas, possamos tomar parte na sua resolução.
O Quinto Conceito ajuda-nos a delegar responsavelmente a nossa autoridade sobre os serviços de NA. Ao aplicarmos o Quinto Conceito, fazemos um contrato simples e direto com os nossos servidores de confiança. Eles ficam a saber, desde o início, o que lhes estamos a pedir, que decisões deverão tomar sozinhos e em que grau é que os tornaremos responsáveis pelas tarefas de serviço que realizam em nosso nome. A aplicação do Conceito Cinco não constitui uma tarefa para se encarar de ânimo leve. Exige que consideremos cuidadosamente as tarefas de serviço que queremos ver feitas, que designemos claramente quem deverá realizar esse trabalho, que deleguemos a autoridade para o fazer e que mantenhamos a responsabilização por essas tarefas. A aplicação consciente do Conceito Cinco exige esforço, mas os resultados valem bem esse esforço.
Sexto Conceito
A consciência de grupo constitui o processo espiritual através do qual convidamos um Deus amantíssimo a influenciar as nossas decisões.
A consciência é uma faculdade essencialmente espiritual. É o nosso sentido inato do certo e do errado, uma bússola interior que cada um de nós pode consultar nas nossas reflexões pessoais acerca do melhor caminho a tomar. O nosso Texto Básico refere-se à consciência como uma das “funções mentais e emocionais mais elevadas”, que foi “fortemente afetada pelo nosso uso de drogas”. Ao aplicarmos os nossos passos, procuramos revivê-la e aprender a exercitá-la. À medida que aplicamos consistentemente princípios espirituais nas nossas vidas, as nossas decisões e ações tornam-se cada vez menos motivadas pelo interesse pessoal e mais por aquilo que a nossa consciência nos diz ser bom e correto.
Quando aditos cujas consciências individuais foram despertadas à medida que praticaram os passos se juntam para considerarem questões relacionadas com serviço, seja no seu grupo de NA ou numa reunião de comissão de serviço, estão preparados para participar na criação de uma consciência de grupo. O exercício dessa consciência é o ato através do qual os nossos membros levam o despertar espiritual dos Doze Passos para contribuir diretamente para a resolução de questões que afetam NA. Como tal, é um assunto que deverá merecer a nossa melhor atenção.
A criação de uma consciência de grupo constitui uma parte indispensável do processo de tomada de decisões em Narcóticos Anónimos; contudo, ela não é, por si só, um mecanismo de tomada de decisões. A fim de se clarificar a diferença entre um e outro, será melhor olharmos para as nossas vidas pessoais. Aqueles que vivem vidas espiritualmente orientadas costumam rezar e meditar antes de tomarem grandes decisões. Primeiro, olhamos para a nossa fonte de força espiritual e sabedoria; depois, olhamos em frente e traçamos então o nosso curso. Se afirmamos que é Deus quem automaticamente nos guia sempre que tomamos uma decisão, quer O tenhamos ou não convidado a influenciar-nos antes de tomarmos essa decisão, então estaremos apenas a enganarmo-nos a nós próprios. O mesmo se aplica à consciência de grupo e à tomada coletiva de decisões.
O desenvolvimento de uma consciência coletiva proporciona- -nos a orientação espiritual de que precisamos para a tomada de decisões de serviço. Rezamos ou meditamos juntos, partilhamos uns com os outros, tomamos em consideração as nossas Tradições e procuramos a orientação de um Poder Superior. Os nossos grupos, comités ou comissões de serviço costumam utilizar o voto como meio rudimentar de traduzir essa orientação espiritual em termos claros e decisivos. No entanto, às vezes, não é necessário recorrer a votação; após uma discussão compenetrada e atenta, torna-se perfeitamente evidente qual o caminho que a nossa consciência coletiva nos indica para uma determinada situação de serviço. Tal como procuramos a unidade espiritual mais forte possível em Narcóticos Anónimos, também na nossa tomada de decisões procuramos a unanimidade e não apenas um voto de maioria. Quanto mais cuidado pusermos nas nossas considerações, mais provável será chegarmos a um consenso e não será necessário qualquer votação para nos ajudar a traduzir a nossa consciência de grupo numa decisão coletiva.
Ao tomarmos decisões específicas de serviço, a votação ou o consenso podem ser a medida da nossa consciência de grupo. Contudo, a consciência de grupo pode ser vista em todos os assuntos da nossa irmandade e não apenas no nosso processo de tomada de decisões. O processo de inventariação do grupo constitui um bom exemplo disso. Quando membros de um grupo de NA se juntam para examinarem a eficácia do seu grupo no cumprimento do seu propósito primordial, cada um deles consulta a sua própria consciência no que diz respeito ao seu papel individual na vida do grupo. As preocupações do grupo no seu todo são estudadas sob a mesma luz. Essa inventariação poderá não produzir quaisquer decisões específicas de serviço. No entanto, irá produzir entre os membros do grupo uma elevada sensibilização espiritual, tanto para as necessidades do adito que ainda sofre, como para as necessidades dos outros membros do grupo.
Um outro exemplo do desenvolvimento da consciência de grupo, sem que se produza uma decisão relacionada com serviço e com o qual cada um de nós poderá identificar-se, pode ser encontrado todos os dias da semana nas nossas reuniões de recuperação. Muitos são os momentos em que vamos a uma reunião de NA com um problema pessoal, em busca de conforto, apoio e orientação na experiência de outros aditos em recuperação. Os nossos membros, cada um com a sua personalidade, a sua experiência e as suas necessidades, falam uns com os outros – e connosco – do despertar espiritual que encontrou na aplicação dos Doze Passos na sua vida. A partir da diversidade do grupo, revela-se uma mensagem comum, uma mensagem que podemos aplicar nas nossas próprias vidas: a mensagem de recuperação. Nesta mensagem, encontramos “o valor terapêutico de um adito a ajudar outro”. Também encontramos nesta mensagem a consciência de grupo, aplicada não a uma questão de serviço, mas ao nosso próprio crescimento espiritual.
A consciência de grupo constitui o meio através do qual convidamos, coletivamente, a contínua orientação de um Poder Superior na tomada de decisões. Aplicamos o Sexto Conceito quando progredimos com força e energia na nossa própria recuperação pessoal, procurando um contínuo despertar espiritual que torne possível a aplicação dos princípios do programa em todas as áreas das nossas vidas, incluindo nos nossos assuntos de serviço.Aplicamos o Sexto Conceito quando escutamos não só as palavras ditas pelos nossos companheiros, como também o espírito por detrás dessas palavras. Aplicamos o Sexto Conceito quando procuramos fazer a vontade de Deus, e não a nossa, e servir os outros, e não a nós, nas nossas decisões de serviço. Aplicamos o Sexto Conceito nos nossos grupos, comissões e comités de serviço, quando convidamos um Deus amantíssimo a influenciar-nos antes de tomarmos decisões relacionadas com serviço.
Sétimo Conceito
Todos os membros de um órgão de serviço suportam uma responsabilidade substancial pelas decisões desse órgão e deverá ser-lhes permitida uma participação plena nos processos de tomada de decisão.
O Sétimo Conceito é uma forma de colocarmos o princípio da consciência de grupo em prática no ambiente de serviço. Este conceito sugere que cada órgão de serviço deva encorajar todos os seus membros a participarem no seu processo de tomada de decisões. Ao juntarmos todas as diferentes perspetivas, estamos a dar aos nossos órgãos de serviço a oportunidade de desenvolverem uma consciência de grupo, devidamente informada e equilibrada, que conduza a decisões de serviço sãs e sensatas.
As nossas comissões e subcomissões de serviço constituem uma parte representativa da perspetiva e da experiência de NA. É importante a contribuição de cada participante para o processo de tomada de decisões. É relativamente simples determinar-se a participação ao nível do grupo: quem for membro do grupo pode participar plenamente no processo de tomada de decisões do grupo. Torna-se um pouco mais complexo determinar a participação nas tomadas de decisão da maioria das comissões e subcomissões de serviço, embora se apliquem ainda os mesmos princípios básicos. A consciência individual livremente expressa constitui o elemento essencial da consciência de grupo, seja a que nível for.
O serviço de NA é um trabalho de equipa. Os nossos representantes de serviço são responsáveis perante a irmandade de NA no seu todo, em vez de perante um eleitorado específico, tal como o são todos os outros servidores de confiança na equipa. A participação plena de cada membro da equipa é de grande importância, na medida em que procuramos exprimir a consciência coletiva do todo.
Não existem regras rígidas para se aplicar o conceito de participação em todas as situações. Num ambiente de amor, respeito mútuo e discussão franca e aberta, cada órgão de serviço decide por si próprio. Em matérias importantes que afetem os grupos, um órgão de serviço pode querer pedir orientações diretamente aos grupos. Na grande maioria dos casos, contudo, o órgão de serviço irá exercer a sua autoridade, delegada para cumprimento das responsabilidades que os grupos lhe confiaram, despachando, normalmente, os assuntos nas suas reuniões de serviço.
O princípio do anonimato espiritual de NA constitui a base para o Sétimo Conceito. Este princípio tende a nivelar a importância relativa do indivíduo enquanto participante no serviço de NA. O Sétimo Conceito, com a sua ênfase no equilíbrio do peso relativo de cada membro da equipa, põe em prática o princípio espiritual do anonimato. Embora não possamos todos participar em todas as decisões tomadas na nossa irmandade, temos todos o direito de participar plenamente e em pé de igualdade nos processos de tomada de decisões nos órgãos de serviço dos quais façamos parte.
Oitavo Conceito
A nossa estrutura de serviço depende da integridade e eficácia das nossas comunicações.
A estrutura de serviço da nossa irmandade apoia-se na unidade dos nossos grupos; para mantermos essa unidade, são necessários canais regulares de comunicação em Narcóticos Anónimos. Juntos, os nossos grupos criaram uma estrutura de serviço que vai ao encontro das suas necessidades comuns e que os ajuda a cumprirem o seu propósito primordial. A eficácia da estrutura de serviço depende da manutenção da unidade dos grupos de NA e da sua orientação e apoio continuados. Apenas é possível manter tudo isto numa atmosfera de comunicação honesta, aberta e direta entre todas as partes interessadas.
Uma comunicação regular tem um papel importante no cumprimento da responsabilidade e autoridade final dos nossos grupos sobre os serviços de NA. Através dos seus RSG, os grupos comunicam regularmente à estrutura de serviço, através de relatórios, os seus pontos fortes, necessidades, ideias e consciência. Juntos, estes relatórios dos grupos dão às nossas comissões e subcomissões orientações claras para os seus esforços em servir NA como um todo. Quando os grupos recebem regularmente informação plena e exata de todos os elementos da estrutura de serviço, eles familiarizam-se com os padrões de atividade normais da estrutura. Assim, os grupos são capazes de reconhecer os problemas que possam surgir com uma das nossas comissões ou subcomissões de serviço e estarão em melhor posição para saber como ajudar a corrigi-los. E, ao saberem que tipos de recursos são necessários para se realizarem tarefas de serviço, os nossos grupos estão também mais habilitados a prestar o apoio mais adequado à estrutura de serviço.
A comunicação clara e frequente nos dois sentidos constitui um importante pré-requisito para a delegação. Quando os nossos grupos pedem à estrutura de serviço que cumpra certas responsabilidades em seu nome, delegamos na estrutura de serviço a autoridade necessária para tomar decisões relacionadas com essas responsabilidades. Antes de podermos delegar-lhes confiadamente esse grau de autoridade, precisamos de poder confiar nos nossos servidores de confiança. Esse tipo de confiança depende, em grande parte, de uma comunicação continuada. Enquanto as nossas comissões e subcomissões de serviço redigirem regularmente relatórios completos e sinceros acerca das suas atividades, podemos estar confiantes de que delegámos bem a nossa autoridade.
Uma comunicação franca e aberta constitui um ingrediente essencial para uma liderança eficaz. Para melhor conhecerem as ideias, os desejos, as necessidades e a consciência daqueles a quem servem, os servidores de confiança deverão escutar atentamente a sua irmandade. Os lideres em NA distribuem regularmente relatórios completos e inequívocos a fim de forenecerem aos grupos de NA a informação de que necessitam para guiar e apoiar os nossos serviços. Nós não queremos que os nossos servidores de confiança nos inundem constantemente com todos os factos e números existentes, mas sim que eles nos forneçam uma informação completa sobre todas as suas atividades e discussões, se acaso lhes pedirmos. Ao comunicarem com aqueles a quem servem, os servidores de confiança demonstram uma atitude aberta, que é inclusiva, convidativa e claramente influenciável. Semelhante abertura e franqueza poderão ser incómodas, mas são essenciais para a manutenção da integridade dos nossos serviços.
Por fim, uma informação completa e frequente é essencial para o desenvolvimento da consciência de grupo, o meio espiritual através do qual convidamos a influência de um Deus amantíssimo na tomada das nossas decisões coletivas. Para que se desenvolva a consciência de grupo, a comunicação deverá ser honesta e direta. Sem uma ideia completa, contendo todas as perspetivas, os nossos grupos, comités e comissões de serviço não podem desenvolver uma consciência de grupo informada. Quando nos juntamos para discutir questões de serviço, partilhamos abertamente ideias e informação uns com os outros, abrindo francamente as nossas mentes e os nossos corações ao assunto em discussão. Ouvimo-nos atentamente uns aos outros, considerando com cuidado a informação e as perspetivas partilhadas, consultamos as nossas consciências individuais sobre o assunto e depois tomamos uma decisão. Uma consciência baseada na ignorância torna-se uma consciência ineficaz, incapaz de proporcionar uma orientação segura. Uma consciência eficaz só pode desenvolver-se num ambiente de comunicação regular e aberta entre todas as partes envolvidas.
O propósito dos nossos serviços é o de ajudar a nossa irmandade a cumprir o seu propósito primordial: levar a mensagem ao adito que ainda sofre. Uma comunicação honesta, aberta e direta é essencial tanto para a integridade como para a eficácia da estrutura de serviço de NA. A unidade, a responsabilidade e a autoridade do grupo, a delegação, a liderança, a responsabilização, a consciência de grupo, a participação – todas elas dependem de uma boa comunicação entre os vários elementos da Irmandade de NA. Com uma comunicação regular nos dois sentidos, os nossos grupos e os nossos serviços estão bem posicionados para defender as ideias e cumprir as responsabilidades descritas nos nossos Doze Conceitos.
Nono Conceito
Todos os elementos da nossa estrutura de serviço têm a responsabilidade de ponderar cuidadosamente todos os pontos de vista nos seus processos de tomada de decisão.
É fácil discutirmos assuntos com quem concorde connosco, mas, em recuperação, aprendemos que os nossos melhores pensamentos não nos dão necessariamente a melhor orientação possível. Ensinaram-nos que, antes de tomarmos decisões importantes, deveremos verificar as nossas ideias com os outros. A nossa experiência mostrou-nos que as ideias daqueles que discordam connosco são, por vezes, aquelas que mais precisamos de ouvir. O Nono Conceito põe este aspeto da nossa recuperação em prática no ambiente de serviço. Ao tomarem uma decisão, os nossos grupos, comités e comissões de serviço deverão procurar ativamente todos os pontos de vista disponíveis.
Uma consciência de grupo eficaz é uma consciência de grupo bem informada. O Nono Conceito é um instrumento que utilizamos para ajudar a assegurar que a nossa consciência de grupo seja a mais bem informada possível. Em qualquer discussão, é tentador ignorar as vozes discordantes, especialmente se a grande maioria dos membros for da mesma opinião. Mas é geralmente a voz isolada, contendo novas informações ou uma perspetiva diferente sobre o assunto, aquela que nos impede de tomarmos decisões precipitadas ou mal informadas. Em Narcóticos Anónimos, somos encorajados a respeitar essa voz isolada, a protegê-la e até mesmo a procurá-la, pois sem ela as nossas decisões de serviço iriam sem dúvida ressentir-se.
O Nono Conceito encoraja-nos também a, individualmente, expormos com franqueza as nossas opiniões em questões de serviço, mesmo quando a maioria dos outros membros pense de forma diferente. Não, este conceito não nos está a dizer para sermos sempre do contra, discordando de tudo o que seja aceite pela maioria. Está sim a dizer que somos responsáveis por partilhar os nossos pensamentos e a nossa consciência com outros membros, explicando cuidadosamente a nossa posição e escutando com igual cuidado as posições dos outros. Quando demonstramos a coragem necessária para exprimir a nossa opinião, enquanto respeitamos também a dos outros, podemos estar confiantes de que estamos a agir no melhor interesse da Irmandade de NA. Ao insistirmos numa discussão aprofundada das questões importantes, o pior que podemos fazer é despender um pouco do tempo de cada um; na melhor das hipóteses, estaremos assim a proteger a irmandade das consequências de uma decisão precipitada ou mal informada.
Quando um órgão de serviço se encontra em processo de tomar uma decisão, o Nono Conceito pode ser aplicado de diferentes formas. Se formos membros desse órgão de serviço, só precisamos de levantar o braço e falar. Se quisermos expor uma opinião mais elaborada, poderemos querer apresentá-la por escrito, para que os outros membros de uma comissão ou subcomissão possam analisá-la com mais cuidado.
Se não pertencermos a esse órgão de serviço, mas mesmo assim quisermos dizer algo acerca de um assunto de serviço, como membros de NA, existem vários caminhos que poderemos tomar para expor a nossa posição. Ao partilharmos as nossas opiniões numa reunião de serviço do nosso grupo, estamos a assegurar que as nossas ideias sejam incluídas na tomada de uma consciência de grupo que orientará o nosso RSG quando ele, ou ela, participar em discussões de serviço. Muitas comissões ou subcomissões de serviço incluem nas suas agendas reuniões abertas, onde poderemos expor as nossas opiniões perante esse órgão. Os jornais ou boletins da irmandade, quer a nível local quer mundial, costumam abrir as suas páginas às opiniões de membros de NA sobre assuntos de serviço. Sejamos ou não membros de um órgão de serviço, existem diversas maneiras de aplicarmos pessoalmente o Nono Conceito.
O nosso processo de tomada de decisões não é perfeito. Muitos grupos, comités e comissões de serviço reconhecem isso, bem como o valor da posição das minorias, em todas as decisões que tomam. Sempre que uma moção é aprovada sem ser por unanimidade, estes órgãos de serviço muitas vezes pedem àqueles que se opuseram à moção que exponham as suas razões, verbalmente ou por escrito. Se a decisão precisar de ser revista no futuro, essas opiniões minoritárias poderão ajudar a traçar uma nova direção de serviço.
O Nono Conceito encoraja-nos a continuar a consultar a consciência de grupo, mesmo depois de a decisão já ter sido tomada. Caso venham a ser discutidas questões já decididas, o órgão irá ouvir o que haja para dizer. Pode ser que, com base nestas discussões, um órgão de serviço altere a sua decisão anterior. Contudo, se uma decisão tomada for questionada, a sua discussão escutada com atenção e a decisão mesmo assim se mantiver, será altura de todos a aceitarem e colaborarem, de coração aberto, na sua implementação. Um apoio desinteressado ou uma resistência direta a uma tal decisão seria contrário aos nossos princípios de entrega e aceitação. Uma vez tomada uma decisão, reconsiderada e confirmada, precisamos de respeitá-la e continuar a servir a nossa irmandade.
A expressão da consciência individual no grupo é a base da consciência de grupo. Sem ela, estaremos a bloquear a orientação de um Deus amantíssimo, que é a nossa autoridade máxima. Quando uma posição apoiada por muitos de nós é contestada por uma minoria, as nossas comissões e subcomissões de serviço deverão tratar sempre tais opiniões com grande respeito e consideração. A informação e as opiniões dadas pela minoria poderão impedir-nos de cometer erros graves; poderão até guiar-nos em direção a horizontes de serviço novos e nunca antes imaginados, onde possamos cumprir o propósito primordial da nossa irmandade mais eficazmente que nunca. Para bem da nossa irmandade e para o bem dos membros vindouros, os nossos grupos, comités e comissões de serviço deverão considerar sempre com cuidado todas as opiniões nos seus processos de tomada de decisão.
Décimo Conceito
Qualquer membro de um órgão de serviço pode solicitar a esse órgão a reparação de uma injustiça pessoal, sem receio de represálias.
O Décimo Conceito constitui a garantia do respeito da nossa irmandade por cada servidor de confiança. Este conceito poderá parecer, por si só, evidente, mas a nossa crença no princípio nele envolvido é tão forte que queremos proferi-lo aberta e claramente. Narcóticos Anónimos é uma sociedade espiritual, com ideais elevados acerca de como deveremos tratar-nos uns aos outros. No entanto, os nossos membros são apenas humanos e por vezes maltratamo-nos uns aos outros. O Décimo Conceito é a promessa da nossa associação espiritual de que, se um de nós for maltratado no contexto de serviço, o servidor de confiança lesado pode pedir que esse erro seja reparado.
São várias as circunstâncias que podem exigir a aplicação do Décimo Conceito. Vejamos um caso em que um membro foi nomeado para um cargo na comissão de serviços da sua área. O membro abandonou a sala para que a comissão pudesse discutir as suas qualificações. Nessa discussão, houve certos membros desse CSA que caluniaram a reputação pessoal do candidato; como resultado, a sua candidatura não foi aprovada. Dias depois, ele soube da discussão sobre a sua vida privada e do seu efeito na eleição. Sentindo-se magoado e zangado, decidiu falar com o seu padrinho, meditar sobre a sua parte na questão e rezar por uma orientação. Depois de dar estes passos, sentiu-se confiante de que tinha direito a solicitar uma reparação ao CSA. Escreveu uma carta a dizer como acreditava ter sido prejudicado pelo CSA e a solicitar uma nova votação. No mês seguinte, a sua carta foi lida e discutida na comissão. Depois de terem tido a oportunidade de examinar as suas consciências, os membros do CSA admitiram que haviam errado e concordaram em repetir a eleição em causa.
A garantia, no Décimo Conceito, do direito de apelar à reparação de uma injustiça pessoal destina-se, em parte, a proteger aqueles que exercem a sua responsabilidade, defendida no Nono Conceito, ao exporem as suas opiniões nas discussões de serviço. Juntos, o Nono e o Décimo Conceitos favorecem um ambiente no qual os nossos membros se sintam livres para expressar com franqueza as suas opiniões sobre os assuntos em discussão. Este ambiente de abertura é essencial para o desenvolvimento de uma consciência de grupo efetiva. Se, depois de terem demonstrado a coragem das suas convicções, determinados indivíduos forem objeto de represálias por parte daqueles que com eles discordam, o Décimo Conceito permite-lhe solicitar ao órgão de serviço apropriado que repare essa injustiça. Está assim garantido o respeito da nossa estrutura de serviço pelos direitos de cada membro de NA. Numa irmandade como a nossa, cujo sucesso se baseia no apoio e colaboração mútuas, esse tipo de respeito pelo indivíduo é indispensável.
Um dado caso envolveu um membro de uma subcomissão que exerceu as responsabilidades descritas no Conceito Nove, opondo-se a um projeto proposto pelo coordenador da subcomissão. Nos meses seguintes, o coordenador da subcomissão deixou de enviar ao membro as atas e os boletins da subcomissão, não o informando sequer das datas e locais das reuniões seguintes dessa subcomissão. O membro contactou o coordenador da subcomissão, solicitando que o problema fosse resolvido. O coordenador recusou-se. O membro da subcomissão decidiu então apelar à comissão de serviços da área para que reparasse a injustiça pessoal do coordenador.
O Décimo Conceito constitui a garantia do respeito da nossa irmandade pelo servidor de confiança individual. Se acharem que foram lesados no decurso da vossa participação num órgão de serviço de NA e quiserem aplicar o Conceito Dez, falem sobre isso com o vosso padrinho ou a vossa madrinha, reflitam sobre qual o vosso próprio envolvimento no assunto, rezem e meditem. Se, depois de refletirem, ainda acreditarem que foram pessoalmente lesados e que deverão solicitar uma reparação, escrevam ao vosso órgão de serviço a explicar a situação ou partilhem o vosso problema na reunião desse órgão. Este precisará então de se debruçar sobre o assunto e, caso concorde que houve uma injustiça, de fazer reparações. Queremos acreditar que o Décimo Conceito só raramente precisará de ser aplicado no serviço de NA. No entanto, caso surja necessidade disso, ele existe, pronto para colocar em ação os ideais espirituais da nossa irmandade.
Décimo Primeiro Conceito
Os fundos de NA deverão ser utilizados para promover o nosso propósito primordial e deverão ser geridos com responsabilidade.
Os membros de NA por todo o mundo contribuem com dinheiro para ajudar a nossa irmandade a cumprir o seu propósito primordial. Compete a todos os elementos da nossa estrutura de serviço utilizar esses fundos para levar a mensagem de recuperação de NA o mais longe possível. Por isso, os nossos órgãos de serviço deverão gerir esses fundos com responsabilidade, prestando contas completas e precisas àqueles que os fornecem.
Os fundos de Narcóticos Anónimos deverão ser sempre utilizados para alcançar o nosso propósito primordial. O dinheiro serve para pagar as despesas relacionadas com o funcionamento de reuniões de recuperação de NA, para informar o público sobre NA e para se chegar aos aditos que não podem ir a reuniões. É utilizado para desenvolver, produzir, traduzir e distribuir a nossa mensagem escrita e para reunir os nossos membros numa comunidade de serviço, dedicada à missão de divulgar a nossa mensagem pelo mundo inteiro a todos aqueles que dela necessitam. Tudo isto é feito em apoio ao objetivo espiritual de NA: levar a mensagem ao adito que ainda sofre.
Os fundos para serviço não são fáceis de obter. Para cumprirmos o nosso propósito primordial, precisamos de todos os recursos financeiros ao dispor da nossa irmandade. Os nossos grupos, comités e comissões de serviço deverão utilizar com prudência o dinheiro que lhes damos, recusando-se a gastá-lo frivolamente ou em benefício pessoal. Com o propósito primordial de NA em mente, os nossos serviços irão evitar gastar dinheiro desnecessariamente, utilizando o mais eficazmente possível os fundos que lhes são dados para transmitir a mensagem.
Uma forma de aplicarmos o Conceito Onze é estabelecendo claramente prioridades de despesas e conferindo cada despesa proposta com essa lista de prioridades. Muitos grupos, comités e comissões de serviço têm nas suas listas de prioridades mais itens do que os seus orçamentos comportam. Nesses casos, só poderão ser custeados os itens mais prioritários.
O dinheiro é apenas um dos recursos que devemos priorizar com responsabilidade. Embora o Décimo Primeiro Conceito se aplique diretamente à gestão de fundos, tem também implicações na gestão de todos os nossos recursos de serviço. A maioria dos projetos depende tanto de ideias, informação, consciência, tempo e boa vontade dos membros, como de dinheiro. Se tivermos os fundos necessários para se realizar um projeto, mas nos faltar o tempo ou as ideias, será melhor aguardarmos até termos reunido todos os recursos necessários, antes de prosseguir. Se não o fizermos, estaremos a desperdiçar fundos de serviço de NA. Ao planearmos e definirmos com responsabilidade os nossos esforços de serviço, deveremos considerar o quadro total de recursos e não apenas o aspeto financeiro.
Ao definirmos prioridades, poderemos ser tentados a olhar apenas para as nossas próprias necessidades, agarrando-nos demasiadamente aos fundos, gastando-os apenas nos nossos próprios projetos e negligenciando o nosso papel na providência de fundos necessários para todos os níveis de serviço. Esse tipo de raciocínio é contrário ao Décimo Primeiro Conceito. Bem no topo da nossa lista de prioridades deverá estar um compromisso para se alcançar os objetivos de NA no seu todo. Para que NA forneça os serviços necessários para continuar a crescer e para cumprir o nosso propósito primordial por todo o mundo, o fluxo de fundos não deverá ser interrompido em nenhum ponto da nossa estrutura.
Embora os grupos sejam responsáveis por financiar os nossos serviços, são também responsáveis por gerir cuidadosamente as suas contribuições para o serviço. Ao contribuírem com dinheiro, os grupos deverão perguntar a si próprios o que será feito com esse dinheiro. Irá ajudar a prestar serviços úteis aos grupos? Irá ajudar a levar a mensagem ao adito que ainda sofre? Irá ser bem gasto pela comissão ou subcomissão de serviço? Os nossos grupos são livres de decidir por si próprios com quanto vão contribuir para os diferentes níveis da nossa estrutura de serviço. Nós encorajamo-los a agirem desta forma e a fazerem-no com responsabilidade.
Isto não significa sugerir que os grupos destinem as suas contribuições a algumas subcomissões em particular. Os grupos criaram a estrutura de serviço não só para fornecer serviços em seu nome, mas também para coordenar esses serviços. Ao delegarem na estrutura de serviço a autoridade necessária para cumprir essas responsabilidades, os grupos delegaram também a autoridade para coordenar a distribuição dos recursos de serviço em cada nível de serviço. Desta forma, as necessidades e os objetivos de todas as áreas de serviço podem ser eficientemente equilibradas em relação ao total de recursos do órgão coordenador de serviço.
Uma comunicação clara e franca da nossa estrutura de serviço é a melhor maneira de ajudar os nossos grupos a contribuírem com os seus fundos de forma responsável. Quando os grupos recebem relatórios completos e regulares sobre as atividades das suas comissões e subcomissões de serviço, começam a ter uma visão mais global do serviço. Os grupos também deverão ser informados do custo dessas atividades. Esse tipo de comunicação ajuda a assegurar aos nossos grupos que as suas contribuições estão a ser utilizadas com responsabilidade.
As contribuições diretas dos grupos para a nossa estrutura de serviço encorajam uma gestão responsável dos fundos de serviço e ajudam os nossos serviços a concentrarem-se no propósito primordial de NA. A nossa experiência diz-nos que, quando nos comprometemos a financiar as tarefas de cada nível da estrutura de serviço exclusivamente através das contribuições dos grupos, torna-se mais fácil manter uma ligação estreita entre os nossos grupos e as nossas outras unidades de serviço.
Os nossos grupos tendem a estar mais atentos ao trabalho que está a ser executado em seu nome e à sua responsabilidade de proporcionar os necessários recursos financeiros aos seus comités e comissões de serviço. Quando todos os níveis da nossa estrutura de serviço recebem o seu apoio financeiro diretamente dos grupos, os laços de responsabilidade mútua entre eles são fortalecidos. Além disso, ao libertarmos as nossas comissões e subcomissões de serviço da necessidade de se envolverem em atividades de angariação de fundos, permitimos que essas unidades de serviço dediquem todas as suas energias ao cumprimento do propósito primordial de NA.
A responsabilização é um aspeto essencial da gestão financeira responsável de NA. Quando os membros de Narcóticos Anónimos contribuem com fundos para os grupos, comités, escritórios e convenções, a nossa estrutura de serviço é responsável por prestar contas de como esses fundos são utilizados. Os relatórios financeiros regulares, os livros abertos, as auditorias periódicas à contabilidade de NA, tal como descrito nos vários guias elaborados para os tesoureiros de NA, ajudam os nossos membros a certificarem-se de que as suas contribuições estão a ser bem utilizadas e os nossos serviços a manterem-se financeiramente responsáveis perante aqueles a quem servem. Os relatórios dos tesoureiros ajudam-nos a ver de que modo os gastos com serviço vão ao encontro das prioridades que estabelecemos. Os registos financeiros consistentes ajudam-nos a elaborar planos realistas de despesas com futuras atividades de serviço. Os relatórios financeiros regulares e as auditorias também ajudam a desencorajar o roubo de fundos de serviço de NA e, se houver roubo de fundos, as auditorias regulares asseguram que tais roubos não permaneçam muito tempo sem serem detetados.
Ao contribuírem com fundos para o serviço, os membros de NA esperam que o seu dinheiro seja utilizado com cuidado e apenas com o objetivo único de alcançar o nosso propósito primordial. Ao aceitarem essas contribuições, os nossos grupos, comités e comissões de serviço assumem também o compromisso de utilizarem esses fundos para transmitir a mensagem de NA e de os gerir com responsabilidade.
Décimo Segundo Conceito
A fim de seguir a natureza espiritual de Narcóticos Anónimos, a nossa estrutura deverá ser sempre uma estrutura de serviço e nunca de governo.
O serviço desinteressado constitui um esforço essencialmente espiritual. O nosso Décimo Segundo Passo diz que “tendo experimentado um despertar espiritual”, individualmente “procurámos levar esta mensagem a outros aditos”. Os nossos esforços coletivos de serviço nascem dessa base espiritual: tendo experimentado os resultados deste programa nas nossas próprias vidas, juntámo-nos para levar a mensagem de recuperação mais longe do que conseguiríamos individualmente. O serviço em NA não é forçarmos a nossa vontade ou as nossas ideias a outros; pelo contrário, trata-se de os servirmos humildemente, sem estarmos à espera de qualquer recompensa.
Este princípio está subjacente a tudo aquilo que fazemos nos nossos grupos, comités e comissões de serviço. O Décimo Segundo Conceito lembra-nos de que nós próprios também só experimentámos recuperação porque outros antes de nós puseram este princípio desinteressado em prática, dispondo do seu tempo e atenção para nos transmitirem a mensagem de NA, quando ainda sofríamos da adição ativa. Em serviço, nós exprimimos a nossa gratidão pela recuperação que outros partilharam connosco ao transmitirmos a nossa recuperação a outros. Não pode haver nada mais afastado da vontade de governar ou dirigir do que este desinteressado espírito de serviço.
Os nossos grupos foram criados porque descobrimos que sozinhos não conseguíamos “parar de consumir drogas, perder o desejo de as consumir e encontrar um novo modo de vida.” Da mesma forma, os nossos grupos juntaram-se para criar uma estrutura de serviço, um esforço de colaboração destinado a ajudá-los a levar a mensagem mais longe do que conseguiriam separadamente. A estrutura de serviço não foi criada como uma forma de alguns grupos obrigarem outros a fazerem a sua vontade. Foi antes desenvolvida para juntar a força dos nossos grupos, para melhor desenvolver os serviços necessários que geralmente não podem ser bem executados, se é que o chegam a ser, por grupos individuais: desenvolver e distribuir materiais escritos que contêm a nossa mensagem, informar o público em geral sobre NA, levar a nossa mensagem a aditos que não se podem deslocar a reuniões e apoiar novos grupos e comunidades de NA. O serviço em NA constitui o esforço de colaboração de servidores de confiança que recebem orientação dos grupos e não uma regra imposta por um órgão governativo.
O processo de nos juntarmos para criar uma estrutura de serviço realça a humildade dos nossos grupos. Separadamente, eles farão muitíssimo menos para cumprir o propósito primordial da nossa irmandade do que podem conseguir juntos. Da mesma forma, cada um dos vários elementos da nossa estrutura de serviço tem o seu papel particular no plano mais vasto do serviço de Narcóticos Anónimos. Cada elemento depende de todos os outros para a sua eficácia; quando qualquer um dos elementos tenta agir como uma autoridade, em vez de veículo de serviço, vai forçar os laços que nos unem a todos, ameaçando a eficácia geral da nossa irmandade no cumprimento do seu propósito primordial. A humildade é um atributo essencial de um serviço não governativo em Narcóticos Anónimos.
Para melhor servirmos, cada elemento da nossa estrutura de serviço deverá fazer um esforço sério de comunicação eficaz. Como grupos, servidores de confiança, comités e comissões de serviço, deveremos partilhar ativamente com os outros e escutar cuidadosa e respeitosamente aquilo que nos dizem. Outros poderão utilizar palavras para dividir a força dos seus opositores, para que possam governá-los; no serviço de NA, partilhamos uns com os outros, para que possamos juntar as nossas forças e melhor cumprir o propósito primordial da nossa irmandade. Para mantermos a nossa responsabilidade perante aqueles a quem servimos, temos a obrigação de os informar das nossas atividades de uma forma completa, precisa e concisa. A natureza não governativa da nossa estrutura de serviço exige que procuremos o conselho de outros nas nossas próprias decisões, o seu consentimento em decisões que os afetem e a sua colaboração em decisões que nos afetem a todos. Uma comunicação aberta, honesta e direta alimenta o espírito de serviço na nossa irmandade e evita o impulso de governar.
O tipo de autoridade que os nossos grupos delegaram nos nossos comités e comissões de serviço é a autoridade para servir, não para governar. Cada elemento da nossa estrutura de serviço, desde o nível de grupo ao mundial, tem o seu próprio papel; todos, contudo, servem juntos, como uma equipa, lutando em direção a um objetivo comum: “que nenhum adito em busca de recuperação precise de morrer, sem ter tido a oportunidade de encontrar um novo modo de vida.” Diz-nos a experiência, por vezes obtida à custa de dificuldades, que um serviço de qualidade, tal como uma recuperação de qualidade, só pode ser conseguido num ambiente de respeito, de apoio e de confiança mútuos. Juntos recuperamos e juntos servimos – este é o núcleo espiritual do nosso programa, o alicerce da nossa irmandade. Uma estrutura baseada nesse alicerce só pode ser de serviço, nunca de governo.
Materiais de estudo
Estas notas e perguntas foram compiladas para ajudar indivíduos e grupos de estudo na revisão dos Doze Conceitos. Em cada secção, há breves comentários com os pontos essenciais de cada conceito. Tu ou o teu grupo de estudo podem querer utilizar estas perguntas, entre outras, para saber como funcionam os serviços em NA e como podem os Doze Conceitos ser aplicados na tua localidade.
Primeiro Conceito
A fim de cumprirem o propósito primordial da nossa irmandade, os grupos de NA juntaram-se para criar uma estrutura que desenvolve, coordena e mantém serviços em nome de NA no seu todo.
A responsabilidade primordial de um grupo de NA é realizar as suas reuniões de recuperação, transmitindo diretamente a mensagem ao adito que ainda sofre. Os grupos juntam a sua força na estrutura de serviço, garantindo que outros serviços – como por exemplo H&I, IP e desenvolvimento de literatura – sejam realizados com eficiência e sem distrair os grupos da sua responsabilidade primordial.
Perguntas de estudo e debate
- O teu grupo realiza reuniões de serviço com regularidade? (ver Sobre o Grupo)
- No teu grupo, fala-se regularmente sobre a melhor forma de cumprir com o propósito primordial?
- Depois de pagar as despesas com literatura, bebidas e aluguer da sala, sobra dinheiro para o grupo realizar outros serviços por si só?
- O teu grupo é capaz de realizar diversos serviços organizados como, por exemplo, ações de IP, painéis de H&I, atendimento numa linha telefónica e desenvolvimento de literatura, e ao mesmo tempo realizar as suas reuniões de recuperação?
- O teu grupo envia um representante ao comité de serviço da área (CSA)? Faz doações regulares ao CSA?
Segundo Conceito
A responsabilidade e a autoridade final pelos serviços de NA encontram-se nos grupos de NA.
Os grupos têm a responsabilidade e autoridade finais sobre a estrutura de serviço que criaram. Também exercem a sua autoridade ao cumprir com a responsabilidade de fornecer à estrutura de serviço a consciência, as ideias, as pessoas e o dinheiro que esta necessita. Em troca, a estrutura de serviço deve sempre procurar o apoio e a orientação dos grupos.
Perguntas de estudo e debate
- O teu grupo tem alguma forma de comunicar ao CSA se este satisfaz as suas necessidades? Como?
- O RSG do teu grupo participa regularmente nas reuniões do CSA? Os membros do teu grupo contribuem regularmente para o CSA? O teu grupo tem influência na maneira como são administrados os serviços em NA? De que forma?
- Com que frequência o teu grupo é consultado em matérias de serviço pelo CSA? Pelo Comité de Serviço da Região? Pelos Conferência Mundial de Serviço? Gostavas que consultassem o teu grupo com mais frequência? Ou com menos frequência?
- O que diz o Segundo Conceito aos nossos comités e comissões de serviço? O teu grupo crê que essa mensagem é ouvida e entendida pela nossa estrutura de serviço? Senão, o que pode fazer o teu grupo em relação a isso?
Terceiro Conceito
Os grupos de NA delegam na estrutura de serviço a autoridade necessária para cumprir as responsabilidades que lhe estão atribuídas.
os assuntos quotidianos, os grupos deram aos comités e comissões de serviço a autoridade prática necessária para a realização das tarefas que lhe são atribuídas. Isto não é um cheque em branco entregue à estrutura de serviço; os grupos continuam a ter a responsabilidade e autoridade final, abordada no Segundo Conceito. Para que o Terceiro Conceito funcione, temos de eleger cuidadosamente os servidores de confiança.
Perguntas de estudo e debate
- Em geral, o que pensa o teu grupo sobre o conceito de autoridade delegada?
- Se o teu grupo fosse consultado sobre cada decisão que tomam os comités e comissões de serviço da área, da região e do mundo, que tempo e energia restariam para o grupo se ocupar dos seus próprios assuntos? Seriam suficientes? Teria o grupo informação suficiente para poder proporcionar conselhos adequados em tais matérias?
- Se os comités e comissões de serviço que servem o teu grupo pudessem agir apenas depois de consultar o teu grupo, poderiam fazê-lo com suficiente rapidez para levar a cabo as tarefas que o teu grupo lhes atribuiu?
- Na redação sobre a Segunda Tradição no Texto Básico lê-se: “Somos maus gestores e nenhum de nós é capaz de tomar consistentemente boas decisões.” Se isto é verdade, como podemos responsavelmente delegar nos servidores de confiança o tipo de autoridade referida no Terceiro Conceito?
Quarto Conceito
Uma liderança eficiente é altamente prezada em Narcóticos Anónimos. As qualidades de liderança deverão ser cuidadosamente consideradas aquando da escolha de servidores de confiança.
A confiança necessária para delegar com responsabilidade a autoridade de serviço baseia-se na cuidadosa escolha dos servidores de confiança. A liderança é muito importante para o bem-estar da nossa irmandade. É certo que os nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar; contudo, esperamos que eles nos guiem. Se os elegermos com cuidado, podemos deixar que o façam com toda a confiança. O texto sobre este conceito descreve uma série de qualidades de liderança a considerar quando elegemos servidores de confiança.
Perguntas de estudo e debate
- Lê a Segunda Tradição. NA tem líderes? Se sim, que tipo de líderes? Uma irmandade que toma decisões coletivamente precisa de líderes?
- O teu grupo tem líderes? Se sim, quem são? Em que sentido podem ser chamados de “líderes”? Poderia o teu grupo organizar-se sem líderes? Poderia uma comissão ou subcomissão organizar-se sem líderes?
- Segundo o texto deste conceito, que qualidades e caraterísticas de personalidade procuramos quando elegemos servidores de confiança? Qual é a base fundamental da liderança em NA?
- “Uma liderança eficiente não só sabe como servir, mas também quando é importante afastar-se e deixar que outros assumam o cargo.” Debate o conceito de rotação na liderança.
- Qual a relação entre recuperação e a liderança em NA? E com o serviço desinteressado?
Quinto Conceito
Para cada responsabilidade atribuída à estrutura de serviço, deverá ser claramente definido um ponto único de decisão e de responsabilização.
Ao definir um único ponto de decisão para cada tarefa de serviço, eliminamos a confusão sobre quem tem autoridade para fazer o quê. Clarificamos também a responsabilização pelos nossos serviços: quem receber a autoridade para um determinado serviço prestará contas pela realização dessa tarefa.
Perguntas de estudo e debate
- O teu grupo atribui tarefas específicas a determinadas pessoas? Isso permite que as tarefas importantes sejam efetivamente feitas?
- Alguém do teu grupo conhece alguma situação, tanto do grupo como de uma comissão ou subcomissão de serviço, em que se tenha dado a mais que uma pessoa ou comité a responsabilidade da mesma tarefa? O que aconteceu?
- Se for atribuída igual responsabilidade de uma tarefa a três pessoas diferentes e esse trabalho acabar por não se realizar, a quem deve ser pedida responsabilidade?
Sexto Conceito
A consciência de grupo constitui o processo espiritual através do qual convidamos um Deus amantíssimo a influenciar as nossas decisões.
A consciência de grupo é o meio através do qual utilizamos o despertar espiritual dos Doze Passos para tomar decisões relacionadas com serviço. Este é fundamental para o processo de tomada de decisão na nossa irmandade. Contudo, não é um mero sinónimo para “votação” e não é por si só o processo de tomada de decisão em NA.
Perguntas de estudo e debate
- O que queremos dizer quando afirmamos que NA é uma associação espiritual? Uma associação espiritual tem um processo de tomada de decisão diferente do de outras organizações?
- A “consciência de grupo” é só a forma de NA de dizer “votação”? (Ou o mesmo que dizer: “Vamos fazer uma consciência de grupo sobre isso.”) De que modo a consciência de grupo difere do nosso processo de tomada de decisão? De que forma a consciência de grupo é uma parte fundamental desse processo?
- Lê a Segunda Tradição. O Sexto Conceito contradiz a Segunda Tradição ou ajuda a clarificá-la?
- Lê a Décima Segunda Tradição. De que forma praticar o Sexto Conceito nos ajuda a focar nos “princípios acima das personalidades” quando tomamos decisões de serviço?
- Para além do processo de tomada de decisão, em que áreas da vida da nossa irmandade podemos encontrar a consciência de grupo a funcionar?
Sétimo Conceito
Todos os membros de um órgão de serviço suportam uma responsabilidade substancial pelas decisões desse órgão e deverá ser-lhes permitida uma participação plena nos processos de tomada de decisão.
Quem deve participar no processo de tomada de decisão? A participação de todos os membros de um organismo de serviço proporciona a consciência de grupo mais ampla e a base mais sólida para as decisões de serviço.
Perguntas de estudo e debate
- Neste momento, quem participa nas reuniões do Comité de Serviço da tua área? Porquê?
- Quem participa nas reuniões de serviço do teu grupo? Porquê?
- Todos os membros do CSA assumem uma responsabilidade substancial pelos serviços prestados na tua área? Todos os membros de determinada comissão assumem uma responsabilidade substancial pelo trabalho dessa comissão? Há alguma diferença na forma como os membros participam nas reuniões do CSA e nas reuniões da comissão? Porquê ou porque não?
Oitavo Conceito
A nossa estrutura de serviço depende da integridade e eficácia das nossas comunicações.
A comunicação regular é fundamental para o cumprimento de todos estes conceitos, bem como para a integridade e eficácia dos nossos serviços.
Perguntas de estudo e debate
- De que forma a comunicação é fundamental para apoiar o Segundo Conceito? E o Terceiro Conceito? E o Quarto Conceito? E o Sexto Conceito?
- De que forma a falta de comunicação regular poderia subestimar esses conceitos e a integridade e eficácia da nossa estrutura de serviço?
- O teu grupo recebe comunicação regular dos servidores de confiança, dos comités e das comissões que o servem? O teu grupo comunica regularmente com esses servidores de confiança, comités e comissões? Como é que essa comunicação – ou falta dela – influencia o teu grupo e a estrutura de serviço?
Nono Conceito
Todos os elementos da nossa estrutura de serviço têm a responsabilidade de ponderar cuidadosamente todos os pontos de vista nos seus processos de tomada de decisão.
Para rever opiniões, proteger-nos de decisões precipitadas ou mal informadas e convidar à participação de opiniões novas, os nossos serviços devem considerar todos os pontos de vista quando elaboram planos. Isto é essencial para um desenvolvimento justo, sensato e equilibrado da consciência de grupo.
Perguntas de estudo e debate
- “Uma consciência de grupo eficiente é uma consciência de grupo plenamente informada.” Por que motivo é tão importante ter em conta todos os pontos de vista quando se tomam decisões de serviço?
- No teu grupo, área ou região, como pode um membro fazer ouvir a sua voz ou expressar o seu ponto de vista numa tomada de decisão?
- Os serviços de NA esforçam-se como deviam por procurar novos e diferentes pontos de vista? Os serviços de NA reprimem pontos de vista opostos?
- Como sabes que é o momento de falar contra uma decisão tomada pela maioria? E quando é o momento de aceitar uma decisão e renderes-te à consciência de grupo?
Décimo Conceito
Qualquer membro de um órgão de serviço pode solicitar a esse órgão a reparação de uma injustiça pessoal, sem receio de represálias.
O Décimo Conceito encoraja-nos a tratarmo-nos com respeito em contexto de serviço e dá-nos os meios para fazermos reparações quando somos incorretos com alguém. O texto descreve as formas pelas quais um membro que se sente injustamente tratado pode proceder para que seja reparada a sua queixa.
Perguntas de estudo e debate
- Conheces alguém que tenha sido tratado injustamente no serviço? Isso foi reparado?
- “Juntos, o Nono e o Décimo Conceitos sustentam um ambiente no qual os membros se sentem livres para se expressar sobre os assuntos em discussão.” Alguma vez tiveste medo de manifestar a tua consciência em reuniões de serviço? Conheces alguém, na tua área ou noutro lugar, que tenha tido medo de falar abertamente? Se sim, porquê? Crês que o Décimo Conceito faria diminuir esses medos?
- Quando é mais conveniente aplicar o Décimo Conceito? Quando não é conveniente?
Décimo Primeiro Conceito
Os fundos de NA deverão ser utilizados para promover o nosso propósito primordial e deverão ser geridos com responsabilidade.
O Décimo Primeiro Conceito estabelece a única prioridade absoluta para usar os fundos de NA: levar a mensagem. A importância dessa prioridade exige a total prestação de contas financeiras. As contribuições diretas a cada nível da estrutura de serviço permitem que nos concentremos no nosso propósito primordial e aumentam a responsabilização.
Perguntas de estudo e debate
- Para que é usado o dinheiro no teu grupo? E na tua Área? E na tua Região? E nos teus Serviços Mundiais?
- Coloca por ordem de prioridade as seguintes despesas do grupo:
- Literatura de NA
- Refrescos – Aluguer da sala
- Poupança do grupo
- Doações
Por que motivo ordenaste dessa forma? O teu grupo tem prioridades definidas ou vai definindo-as em cada mês?
- Conheces exemplos em que o dinheiro de NA tenha sido gasto levianamente por um grupo? E por um comité de serviço? E pelos serviços mundiais? O que foi “leviano” na forma como esse dinheiro foi gasto? Como deveria esse dinheiro ter sido gasto?
- Prestam-se boas contas dos fundos de NA no teu grupo? E na tua Área e Região? E nos Serviços Mundiais? Senão, a que tipo de relatórios financeiros gostarias de ter acesso?
- “As contribuições diretas dos grupos para a estrutura de serviço incentivam a gestão responsável dos fundos e permitem que os nossos serviços se mantenham centrao propósito primordial de NA.” A tua área ou região dependem de atividades de angariação de fundos para conseguir parte substancial das suas finanças? Isso é sensato? Como é que isso afeta a relação do CSA ou do CSR com o teu grupo? Essa relação seria diferente se os grupos contribuíssem diretamente para cada nível de serviço? Poderiam os comités e as comissões de serviço funcionar só com as contribuições dos grupos?
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Décimo Segundo Conceito
A fim de seguir a natureza espiritual de Narcóticos Anónimos, a nossa estrutura deverá ser sempre uma estrutura de serviço e nunca de governação.
No contexto dos Doze Conceitos como um todo, o Décimo Segundo desempenha a mesma função que a Décima Segunda Tradição no contexto das tradições. Este conceito leva a nossa atenção de volta para a raiz espiritual do serviço desinteressado. Uma estrutura baseada neste alicerce só pode ser de serviço, nunca de governo.
Perguntas de estudo e debate
- Qual é a diferença entre serviço e governo?
- A diferença entre uma organização de governo e uma de serviço geralmente não é uma questão de estrutura, mas sim de fundamento espiritual e de propósito. Que parte do propósito primordial e da identidade espiritual de NA afirma que “a nossa estrutura de serviço deve ser sempre uma estrutura de serviço, nunca de governo”?
- O texto do Décimo Segundo Conceito refere a forma em que a gratidão, a humildade, a comunicação e a entrega contribuem para que a nossa estrutura seja “sempre de serviço, nunca de governo”. Debate sobre estes aspetos.
- Debate sobre o modo como o Décimo Segundo Conceito se aplica a cada um dos outros onze conceitos.